| Entrevista
retirada do Esperanto Zine feita por Tarcisio Jingu com a banda Surface, respondida
por Cientista e Paula: 01- Como esta é nossa primeira entrevista,
comece com um breve histórico da existência do Surface ? Cientista.:
A Surface surgiu em 1997 em Londrina Pr, a partir de um convite que 03 amigas
fizeram-me. Como sempre gostei de bandas com vocal feminino topei. Paula:
o Cientista já era do mundo do rock, eu sempre tive o sonho de ter uma
banda, mas minhas amigas nunca iam atrás, bem...eu fui buscar meu sonho...e
Surface apareceu. 02- Porque o nome Surface e qual o seu significado ?
Cientista.:Surface é superfície/superficial, infelizmente vivemos
em um mundo de aparências ... mas existem pessoas que vão além
do superficial. 03- Quais outras bandas você e a Paula integravam
antes se chegaram a gravar algo daquela época? Cientista.: Já
toquei nas bandas Desordem e Regresso (1988 a 1992), Merda (1990), Nem Heróis
Nem Covardes Apenas Adeptos (1990), Hard Money (1991 e ainda na ativa) e Ted &
Beth (1998). Paula: Surface (1997) , Teenagers (1998) e outros projetos que
não deram certo... 04- O Surface parece ter uma proposta musical
e lírica mais legal e positiva, ao contrário da maioria das bandas
do estilo, comente isso. Cientista.: A banda para nós é algo
que usamos para expressar nossos sentimentos, valores e expectativas. Nas minhas
músicas procuro colocar um toque de tristeza, esperança e sentimentos.
Paula: A banda para mim não é apenas subir no palco, usar um
instrumento e dizer q sou mina e tenho uma banda, como muitas fazem... a banda
é um pedaço de mim, mesmo não tendo muito tempo disponível
para ela, mas através dela posso compor em minhas musicas meus sentimentos,
pensamentos , como sou... um pedaço da minha vida, a banda é um
capitulo da minha historia de vida. 05- Como você definiria o som
da banda? Cientista.: É claro que temos uma musicalidade específica
da banda, mas basicamente é Punk Rock e Hardcore melódico. Tudo
regado à velocidade, peso, pegada e melodia. Paula: é...acho
que é isso e um pouco mais... é bem característico de um
pedacinho de cada um...nada muito bem definido... 06- Porque sempre houve
tantas mudanças na formação? Cientista.: Já tivemos
várias formações hoje somos: Bruno - Guitarra, Paula - Baixo/Backing
Vocal, Cientista - Bateria, Mariana - Vocal e Siri - Guitarra. A vida de cada
um tem suas opções, várias pessoas que participaram da banda
mudaram e/ou tinham outras atividades prioritárias. Só eu e a Paula
que fomos fanáticos ... Paula: é... o que disse... não
basta subir no palco para dizer que tem banda... se não tem amor ao que
faz, se não tem um sonho e não busca-lo, não vai para frente,
mas as meninas tiveram seus motivos, apenas respeitamos. 07- Dê
uma resumida do que anda rolando na Cena de Londrina. Cientista.: Hoje temos
várias bandas, rolam muitos shows e tem um pessoal razoável que
curte o nosso estilo de som. Mas nem tudo são flores, não há
muita união e o pessoal não prestigia as bandas locais como deveriam.
08- Como foram a receptividade e distribuição dos dois cds oficiais
até o momento? Cientista.: Os dois foram produzidos com muito sacrifício,
mas valeu à pena. Rolaram várias propostas para participarmos de
coletâneas e divulgou muito a banda e nosso som pelo Brasil e exterior.
09- Fale um pouco sobre as propostas da Lab Rec. Cientista.: Eu toco em banda
há um bom tempo e sempre achei que era possível fazer algo com qualidade
e honestidade para divulgar as bandas e o underground, por isto montei a Lab Rec.
10- Na sua opinião, a "união" verdadeira é possível?
Cientista.: União eu acho muito difícil, mas um respeito mútuo
seria uma grande vitória. Paula: Gostaria de ter esperanças...
mas também acho meio difícil...as pessoas são orgulhosas,
egoístas e invejosas. Até hoje existe bandas mais antigas que quando
vêem bandas recentes, atuais fazendo sucesso, sendo divulgada, os mesmos
se remoem por dentro ao invés de bater palmas e ficar feliz pela banda. 11-
E o seu Fanzine, como estão suas atividades e qual a periodicidade? Qual
o nome e em qual edição está? Cientista.: Faço
Fanzines desde 1988, gosto muito deles, por isto sempre que podemos ($) incluímos
nas compilações HC Scene que fazemos um fanzine com o mesmo nome.
No HC Scene 05 fizemos uma "Fanzinão" na faixa multimídia. 12-
O HC Scene sempre lança muitas bandas. Como estão os preparativos
para a próxima coletânea? Cientista.: Estamos contatando as ultimas
bandas para o HC Scene 06, que será só com bandas de vocal feminino.
E em breve concluiremos o HC Scene 07, que terá apenas bandas daqui de
Londrina. 13- Como irá se chamar o novo cd, quantas composições,
como será a capa ... enfim, dê uma prévia do que podemos esperar
deste material. Cientista.: O nome deste 3º cd é sugestão
minha, chamará Desafio. Estamos nos preparando para este cd desde 2003,
trabalhamos muito para que ele fique o melhor possível. Estamos cuidando
de todos os detalhes com muita preocupação e carinho. Também
é o trabalho que estamos gastando muito para atingirmos o máximo
de qualidade. Serão 13 músicas e ainda estamos decidindo o layout
de capa, mas é algo que tenha a ver com o título. 14- Terá
faixa multimídia como no "Building ..."? Cientista.: Sai
bem caro uma faixa multimídia e como estamos priorizando o áudio,
gastando um dinheirão na produção. Mas se der é claro
que vamos faze-la. 15- Porque a opção definitiva em fazer
a maioria das letras em português? Cientista.: Não foi nada planejado,
muito menos é por causa da moda de cantar em português ou exigência
do "mercado fonográfico". O que não nos impede de fazermos
algumas músicas em inglês, espanhol ou outra língua.
Paula: simplesmente fluiu...ainda sai umas inglês por ai...mas ficam arquivadas
até que termine os detalhes. 16- E quais os seus assuntos preferidos
nas letras das músicas? Cientista.: Geralmente conto histórias
baseadas em experiências minhas, mas todas tem uma mensagem positiva, além
de temas de reflexão. 17- Devido aos compromissos profissionais
e familiares, como tem sido as apresentações ao vivo? Rolam covers?
Quais? Cientista.: Adoramos tocar e se as pessoas gostam de nossos sons animam
mais ainda os shows. Às vezes rolam uns covers, já tocamos vários,
estamos definindo os atuais. Paula: Sim, por mais que tenha filho para cuidar,
trabalho e estudos, a gente acaba dando um jeitinho... Já tocamos Fênix
TX, Dominatrix, Biggs, Face to face e outras bandas que não me lembro em
nossos shows.
18- Qual a tua visão em relação ao Brasil
e a política neste período de transição histórica
(sem citar nomes e partidos). Cientista.: As pessoas tem hoje mais oportunidade
em se organizar e lutar pelos seus direitos, o que é muito melhor de que
ficar reclamando da vida e dos governos. Paula: É feliz aquele que
contribui fazendo sua parte sem que se espere muito da outra pessoa... o Brasil
é apenas o local onde habita as pessoas, mas quem convive com as pessoas
somos nos mesmos, e não quem esta apenas no poder... 19- E esse lance
de vagas obrigatórias para negros nas universidades? Cientista.: O
Brasil tem uma divida histórica com os negros, é claro que seria
bom se tivéssemos um sistema público de qualidade, igual para todos,
mas por enquanto o sistema de cotas ajuda a corrigir as distorções.
Esta é minha opinião. Paula: É verdade, não adianta
só dar as vagas para tentar corrigir um erro que vem da escola pública
nos ensinos anteriores. 20- Se houver algo que você gostaria de comentar
e que não perguntei, aproveite o espaço. Cientista.: Gostamos
de fazer amigos escrevam-nos e/ou enviem e-mail. Valeu Tarcisio e todos pela atenção.
21- Com que idade você começou a cantar e quais foram as suas primeiras
inspirações? Paula: Comecei a tocar com 17 anos, já com
a formação da banda. Minhas inspirações na época
na verdade foi uma mistura com o que sempre quis tocar, mas na época ouvia
mais Face to face, NOFX e Bad Religion, e ficou baseado nisso.
22-Como tu
vês a participação das mulheres no underground atualmente,
e se tem Paula: Alguma banda com vocal feminino daqui do Brasil que você
admira? Bandas com mulheres é o que mais tem tido no Brasil, mas bandas
são bandas temporárias, poucas levam a serio, porque não
passa de moda ainda...mas a gente sempre encontra mudando de banda toda hora algumas
meninas que gostam mesmo de tocar, a procura de alguém que também
curte, que não seja apenas para se mostrar. Vocal feminino??? Elisa e Isabela
do Dominatrix sempre paguei pau...elas cantam com a melodia delas, são
próprias, quando se escuta uma música nova Já dá para
sacar quem colocou aquela melodia ali, quem escreveu a letra...enfim...elas encarnam
em suas músicas com seus sentimentos. A Alê do Pin Ups também
canta legal, a Joyce do Killi (não me lembro se é esse o nome da
nova vocalista, mas que se parece com o vocal da Mariana), a vocalista do Pan
Cake, uma banda do Rio, antiga, também é linda...voz suave, melódica,
estilo Staples...a Jan (SP) também admiro, tanto para vocal agressivo quanto
melódico ela se dá bem. Já para um estilo diferente, a vocal
da New Fresh Dolls (Curitiba-Pr) também vem se destacando. 22- A
nível profissional (como vocalista), tem algo que você gostaria de
realizar ou cantar? Como está sua preparação para o novo
cd? Paula: Eu particularmente, sempre gostei de cantar sozinha em casa, desde
criança, mas não me sinto ainda preparada para cantar em uma banda,
falta um pouco de mim para isso, então resolvi me afastar um pouco desta
responsabilidade e dar oportunidade para a banda se destacar nesse aspecto com
outra vocalista, no caso, atualmente está a Mariana, e eu ficarei nos backings. 23-
Como são assuntos cotidianos, eu ficaria feliz em obter sua opinião
sobre os temas: drogas e aborto. Paula: Cada um é livre para fazer
suas escolhas. Tenho raiva de quem usa drogas além do álcool e cigarro,
pois acabam machucando pessoas que estão ao seu redor, destrói famílias
e sentimentos. Quanto ao aborto, sou a favor e as pessoas deveriam julgar menos
e pensar um pouco mais. Muitas pessoas mudam de pensamento quando o negócio
acontece consigo mesmo, então é melhor não julgar até
que chegue sua hora de fazer a escolha. 24- Sobre o que você gosta
de escrever nas suas letras? Aliás, às vezes eu sinto falta de mais
letras suas nos cds! Paula: Sente falta? Opa...fico feliz... mas não
teria o porquê...afinal eu e o Cientista somos bem parecidos para isso...hehehe
só que ele é mais poético...eu uso uma linguagem mais simples...
sempre nos expomos.E o legal é que quando precisa modificar uma frase ou
completar com alguma frase a letra para encaixar o vocal ou a melodia legal, o
Cientista acaba entrando no meio não saindo do contexto e dos meus sentimentos. 25-
Eu acho o seu vocal lindo, principalmente em inglês! Não desista
nunca, pois admiro o seu trabalho e sempre ouço suas músicas (o
"Building ..." quase todo dia!). Desculpe tomar o seu tempo (eu sei
que você é fonoaudióloga, trabalha bastante, é mamãe
e está super ocupada), agradeço sua atenção. Paula:
Ah Tarcisio! Imagina meu! Tomando tempo nada! a gente sempre dá um jeitinho!
Ah, eu também prefiro meu vocal em inglês... se bem que na verdade
o problema não é sem se a letra é inglês ou não...
o lance é quando você faz a música, escolhe a sua melodia,
expõe os seus sentimentos... sem limites! essa é a chave da questão!
Eu agradeço pela oportunidade que você nos deu em estar divulgando
a banda e todo nosso trabalho, desejo a você tudo de bom para seu fanzine
e para a sua vida pessoal. Obrigada e quando puder ouvir a gente ao vivo vai ser
um prazer! até dedico e canto uma música de sua preferência
só porque você foi simpático comigo! ceei beijos! E ao
pessoal que leu até aqui, escrevam para a gente e mantenham contato! Cuidem-se
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